“Em Qualquer Lugar Onde Haja Povo”: um monólogo insurgente sobre revolução, povo e futuro
- 10/12/2025
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Foto: @nucleocenacritica
Espetáculo gratuito questiona as estruturas de poder e celebra tradições históricas de resistência cultural
Onde Haja Povo, terceira obra de uma trajetória marcada pela articulação entre arte, política e formação popular. O legado de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras assassinado aos 21 anos, chega aos palcos contagenses com estreia marcada para o dia 11/12, às 19h30, no espaço do Grupo Trama de Teatro - Avenida Carmelita Drumond Diniz. A peça é realizada com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC), da Prefeitura de Contagem, contemplado no edital Multilinguagens, e tem entrada gratuita, com retirada de ingressos antecipada, clicando aqui. Ainda seguirá em cartaz até o dia 14 de dezembro e retorna para a segunda temporada em janeiro, nos dias 16, 17 e 18. Na apresentação com acessibilidade em libras acontece no dia 13/12.
O espetáculo revela o contraste entre seu papel público, mobilizador e sua dimensão íntima, amorosa, vulnerável e consciente do próprio destino. No seu novo espetáculo, o Núcleo Cena Crítica faz uma convocação ao divertimento, à fruição estética artística e ao debate político como forma de estimular a consciência crítica social. Em Qualquer Lugar Onde Haja Povo, é terceira obra de uma trajetória marcada pela articulação entre arte, política e formação popular. Depois de Parem as Máquinas (2023), que revisitou a greve operária de 1968 em Contagem, e O Alienado, que levou aos palcos e às últimas consequências uma distopia brasileira, o Núcleo volta-se, agora, para a trajetória de Fred Hampton.
Inspirada no último discurso de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras assassinado pelo FBI aos 21 anos, a peça parte do material histórico para propor uma reflexão sobre enraizamento popular, solidariedade ativa, autodefesa comunitária e organização política em tempos de crises. O monólogo, interpretado por Douglas Martins, é resultado de um processo de pesquisa que investiga como a vida cotidiana – com suas fragilidades, tensões e afetos – está atravessada pela luta contra o capital.
Para Douglas Martins, interpretar Fred Hampton exigiu um mergulho intenso em sua dimensão histórica e humana. “A diferença de idade já era um desafio enorme: ele tinha apenas 21 anos. A velocidade do pensamento dele, a firmeza da oratória… traduzir isso para o português é complexo”, diz o ator. No processo, ele também revisitou sua própria trajetória: “A arte é um bastião de resistência ao Brasil careta, misógino, racista e homofóbico que parte da sociedade quer impor ao coletivo, por isso, precisamos fortalecer a cultura”.
O integrante do grupo e diretor da montagem, Gabriel Vinicius, destaca: “Queríamos mostrar como um homem comum, com suas vulnerabilidades, pode se tornar extraordinário quando age coletivamente”. Já a integrante do grupo, diretora e artista visual, Pabs Andrade, que assina a dramaturgia e a identidade visual, destaca que o trabalho dá continuidade à pesquisa do grupo sobre a tradição brasileira de articulação entre cultura e formação popular. “Retomamos experiências como o Teatro Experimental do Negro, o CPC da UNE e o Teatro de Arena porque entendemos que a arte precisa voltar a ser espaço de mobilização política. O teatro não pode se encerrar em si mesmo; ele precisa atuar nas ruas, nos movimentos, nos territórios”, comenta. O ator Douglas Martins revela, ainda, quais perguntas faria a Hampton se pudesse encontrá-lo: “Eu perguntaria se, em algum momento, ele pensou em desistir. E também o que se passava em sua cabeça quando via sua companheira carregando o filho dos dois”, revela.
Com “Em Qualquer Lugar Onde Haja Povo”, o Núcleo Cena Crítica reafirma, com essa montagem, seu desejo de construir uma arte que ultrapasse o palco. Um teatro que recupera alianças, convoca ação e insiste que o povo — organizado e consciente — é quem pode construir outro futuro possível.
Criado em 2022, dentro do Fórum Popular de Cultura de Contagem, o grupo reafirma, com esta montagem, seu compromisso com o teatro épico como ferramenta crítica – um teatro que desloca o foco do indivíduo para o conjunto das forças históricas que moldam a vida coletiva. Compõem o trabalho artístico e estético do grupo: Gabriel Vinicius e Pabs Andrade, direção e produção; a dramaturgia é de Gabriel Vinicius; o ator do monólogo é Douglas Martins; a iluminação fica a cargo de Gabriel Vinicius e Márcio Diogo; na sonoplastia está Gabriel Vinicius; a caracterização cênica e o figurino são de Jéssica Luiza Cardoso; a cenografia e objetos de cena são realizadas por Jéssica Luiza Cardoso, Pabs Andrade e Gabriel Vinicius; a confecção do boneco foi feita por Jéssica Luiza Cardoso; e a comunicação e identidade visual tem assinatura de Pabs Andrade.
Espetáculo: Em qualquer lugar onde haja povo
Grupo: Núcleo Cena Crítica
11, 12, 13 e 14 de dezembro
19h30 Grupo Trama de Teatro - Avenida Carmelita Drumond Diniz, 527, Consolação - Parque Maracanã - Contagem
Acesso Livre Retire seu ingresso gratuito - sujeito à lotação do espaço: https://www.sympla.com.br/evento/em-qualquer-lugar... povo/3241501?share_id=whatsapp
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