Tudo que tinha esquecido sobre mim, floresce

  • 11/06/2025
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Tudo que tinha esquecido sobre mim, floresce

Foto: Nena Barros

Tudo que tinha esquecido sobre mim, floresce de Nena Barros 

por Ana Elisa Gonçalves

Imagine um lugar onde as urgências das visualidades urbanas se cruzam com o espaço íntimo do lar de uma jovem mãe. Os muros da cidade, com o objetivo de hostilizar, o asfalto e a gentrificação das grandes cidades contrapostos a minuciosidade da maternidade. É neste contexto que a artista Nena Barros expõe suas obras, co-criadas com sua filha Flora. Aqui, presenciamos tanto a transformação de uma mulher preta em mãe, quanto a mudança de sua cria para uma criança. Um corre corre ou o marasmo que se arrasta pelos dias, passa pelas superfícies da tela e do viver. Das demandas maternas solitárias dentre seus afazeres, até as novidades de aprender a existir trazidas por um novo ser humano, é assim que nasce a exposição “Tudo que tinha esquecido sobre mim, floresce”.

A maneira única com que a artista apresenta flores nos trabalhos mais recentes, é parte da travessia psicológica que percorreu. Flores são um antigo objeto de estudo na História da Arte, um símbolo universal para a humanidade, podendo significar, em diferentes culturas: beleza, amor, glória ou evolução espiritual. A artista Nena Barros -autodidata, como repertório em moda sustentável, muralismo e cultura afro-brasileira urbana - mescla este elemento com a técnica do bomb¹ com pinturas geométricas nos mais diversos suportes. Mistura-se então, o que é público e o que é privado, questionando o estável e efêmero, refletindo sobre como a resiliência necessária para a vida doméstica pode ser marginal. Florescer o que tinha se esquecido é abordar, pictoricamente, o processo de individuação² da mãe, da mulher e da cria, demarcando o renascimento constante de criadora e criatura.


  • 1.bomb:técnicadegrafitequeconsisteemcobrirrapidamenteumpedaçodegrafiteemtextos, com um preenchimento sólido e de poucas cores.
  • 2.individuação: refere-se ao processo psicológico de diferenciação psíquica que tem como finalidade o desenvolvimento da personalidade individual. Segundo Jung, significava tornar-se um ser único, alcançar uma singularidade profunda, tornando-nos o nosso próprio Si-mesmo.

A exposição recebe visitação no Centro Cultural Alto Vera Cruz até 12 de junho de 2025.


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