“Olhos Coloridos” completa 40 anos com lançamento de trabalho inédito de Macau

  • 17/07/2022
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“Olhos Coloridos” completa 40 anos com lançamento de trabalho inédito de Macau

Nayara Souza 17/07/2022

Para o Portal Notícia Preta

Albúm de comemoração / Foto: Divulgação

Serjão Loroza, Marquinho O Sócio e Valéria Custodio fazem participações especiais na obra

Nascido na Cruzada São Sebastião, comunidade da zona sul do Rio de Janeiro, Macau compôs a música de frente para o mar numa celebração à resistência negra. Quarenta anos depois, junto a Sandra de Sá, eles vão mais uma vez para espalhar por todo o país novas composições. Além de interpretações conjuntas, Sandra também é a diretora musical do novo EP.

 “Todas as músicas nesse meu novo trabalho representam diversas fases da minha vida. A história que torna “‘Olhos Coloridos (Sarará Crioulo)’ tão essencial, ainda nos dias de hoje, pode ser revivida em “Armadilhas da Vida”, música que compus com o meu amigo Cézar Reis, que, infelizmente, nos deixou antes de ver sua música ecoar por aí”, conta Macau. O compositor ainda fala apaixonado das outras canções que dão continuidade a mensagem de Sarará Crioulo: “em ‘Xeque-Mate’, ‘Papo de Doidão’ e ‘Saudade’, pérolas da minha parceria com Sandra de Sá; em ‘Ondas de Amor’ onde mostro um pouco do meu lado blues romântico e em ‘Diz que fui por aí’, um clássico do samba brasileiro do ícone negro Ze Ketti, onde eu me atrevi a colocar o violão e a minha voz”,

No repertório do novo trabalho, Macau tem como companhia os artistas Serjão Loroza , Valéria Custódio e Marquinho O Sócio e Banda Eletronaipe. O músico, baixista renomado da black-music brasileira Jamil Joanes participa da música ‘Saudade’, de autoria de Macau e Sandra de Sá. Na faixa ‘Diz que fui por aí’, de Zé Ketti e ‘Hortêncio Rocha’, a única música não autoral que Macau e Sandra de Sá escolheram para compor o trabalho, pode ser identificado o lindo arranjo do produtor músical e violonista Paulão 7 Cordas.

“Meu cabelo enrolado, eles querem imitar”

O compositor que sempre denunciou a formação cultural e de identidade negra do Brasil em suas canções reconhece que nesses quarenta anos foram conquistados direitos importantes: “Quando olho para trás vejo que tivemos muitas conquistas mesmo: eu, um negro retinto, andava com medo nas ruas, nos abordavam e nos levavam presos, se estivessem de mau humor, tinham nojo da gente, raspavam o nosso cabelo. As informações não circulavam livremente, sempre ouvíamos coisas sobre “o nosso lugar”. Nas calçadas, a preferência era dos brancos, não nos olhávamos nos olhos, só nos sentíamos mais livres quando fechados nos nossos “guetos”, no convívio com os nossos iguais”, recorda Macau.

“Não existiam leis para nós negros, não éramos tratados como gente. Na época da ditadura, depois do golpe de 64, as repressões aumentaram muito, o poder oficial aproveitou e aumentou as “duras” contra nós negros, se sentiram autorizados a fazer tudo, sem medo”, conta Macau ao mesmo tempo em que olha com preocupação e esperança para o futuro: “Mas tudo isso é muito triste, tudo o que passei e que, uma pena, ainda vejo se repetir; mas tenho esperança porque me sinto representado por essa juventude negra que esta aí mudando os rumos das coisas, ‘quebrando tudo’, ‘chutando o pau da barraca’. A juventude branca está repensando e fazendo suas reflexões, revendo conceitos interiores e ajudando na mudança do país”, finaliza.


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