Biomédica negra denuncia racismo estrutural em hotel de luxo em SP: 'Duvidaram que eu poderia ser uma doutora'
- 24/12/2022
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Fonte: Gustavo Honório, G1 SP
Foto: Arquivo Pessoal/Google
'O racismo não é verbalizado. Foram caras e bocas, julgamentos, expressões faciais'. Em nota publicada nas redes sociais, a Rede Bristol Hotéis disse que 'compreende a gravidade de qualquer ato de discriminação', que está apurando os fatos e que irá colaborar com a hóspede e com as autoridades.
A biomédica Lih Vitória, de 30 anos, relatou ter sofrido racismo em um hotel de luxo na cidade de Santo André, ABC Paulista, na última quinta-feira (22).
Hospedada a trabalho em uma unidade da Rede Bristol, Lih contou que, ao tentar realizar check-out do hotel pela manhã, foi questionada por diversas vezes sobre os seguintes pontos:
- A veracidade do e-mail de reserva enviada pela empresa em que ela trabalha;
- Se realmente era fazia parte da empresa.
"O racismo não é verbalizado. Foram caras e bocas, julgamentos, expressões faciais o tempo todo. E eu só queria sair. Eu viajo com meus amigos e nunca tive problema, porque estou sempre com uma pessoa branca. Agora, que comecei a andar sozinha, estou sentindo", contou ela ao g1.
Segundo Lih, a recepcionista só faria a liberação após conseguir contato com a dona da empresa. "Ela entrou em uma sala e saiu acompanhada de mais duas pessoas, que ficaram me observando", afirmou.
Ela disse que a atendente ainda pediu para conferir o e-mail em seu celular e, mesmo assim, não finalizou o procedimento.
“Me senti mal, não sei explicar, foi muita coisa. Me olharam de cima a baixo, me trataram extremamente mal, doeu muito. Depois, tinha uma menina branca e eles trataram com sorriso no rosto”.
Em nota publicada nas redes sociais, a Rede Bristol disse que "compreende a gravidade de qualquer ato de discriminação", que está apurando os fatos e que irá colaborar com a hóspede e com as autoridades. (leia a íntegra abaixo)
"Eu sou preta, sou pequena, eles duvidaram que eu poderia ser uma doutora. Eu não aguento mais, não foi a primeira vez, mas ontem me senti extremamente coagida. Eram três pessoas que não me deixavam sair", contou.
Após a série de questionamentos, Lih disse que deixou a comanda do hotel e saiu do prédio sem finalizar o check-out.
A biomédica registrou boletim de ocorrência por racismo já na quinta-feira (22) e disse que a advogada da empresa processará o hotel nas esferas criminal e cível.






